Se você já teve aquela sensação de rosto pesado, nariz entupido e dor de cabeça que parece não passar, provavelmente já ouviu a palavra sinusite. Mas o que muita gente não sabe é que existem dois tipos principais dessa doença, a aguda e a crônica, e que o tratamento de cada uma é bem diferente. Entender essa diferença é o primeiro passo para não ficar refém de antibióticos, sprays e crises que se repetem sem fim.
O que é sinusite, afinal?
Os seios da face são cavidades cheias de ar que ficam ao redor do nariz, dos olhos e da testa. Eles são revestidos por uma mucosa que produz muco para umidificar o ar e proteger as vias respiratórias. Quando essa mucosa inflama, chamo de rinossinusite, o termo mais correto, já que o nariz quase sempre também está envolvido. Popularmente, ficou conhecida apenas como sinusite.
O que muda entre a forma aguda e a crônica é, basicamente, o tempo de duração dos sintomas e o mecanismo por trás da inflamação.
Sinusite aguda: rápida, intensa e geralmente infecciosa
A sinusite aguda dura até 4 semanas e costuma aparecer depois de um resfriado ou gripe. O vírus inflama a mucosa nasal, o muco fica preso dentro dos seios da face e, em alguns casos, uma bactéria acaba se aproveitando do ambiente para se multiplicar.
Os sintomas mais típicos são dor ou pressão no rosto, principalmente ao abaixar a cabeça, secreção nasal amarelada ou esverdeada, nariz entupido, febre em alguns casos, e dor de cabeça com sensação de cansaço.
A maioria dos episódios agudos é viral e melhora sozinha em 7 a 10 dias, com medidas simples: lavagem nasal com soro fisiológico, hidratação, analgésicos e repouso. Antibiótico só entra quando existem sinais claros de infecção bacteriana, como sintomas que pioram após alguns dias de melhora ou que se prolongam além de 10 dias com secreção purulenta e dor facial importante.
Por que não sair tomando antibiótico?
Porque o uso desnecessário aumenta a resistência bacteriana, causa efeitos colaterais e, principalmente, não resolve inflamação viral. Autoavaliação aqui pode ser enganosa — quem decide é o médico.
Sinusite crônica: uma inflamação que não vai embora
Já a sinusite crônica é definida quando os sintomas duram mais de 12 semanas, mesmo que oscilem em intensidade. E aqui está a virada de chave importante: na maioria dos casos, ela não é uma infecção que ficou. É uma inflamação persistente da mucosa dos seios da face, que pode ter várias causas por trás: alergias respiratórias mal controladas, desvio de septo importante e outras alterações anatômicas, pólipos nasais, problemas imunológicos, ou sensibilidade a certos medicamentos.
Estamos falando de doenças diferentes disfarçadas com o mesmo nome.
Os sintomas são mais arrastados e menos dramáticos que os da forma aguda: nariz entupido constante, secreção que escorre pela garganta, perda ou redução do olfato, pressão facial contínua e, muitas vezes, sono ruim e cansaço diário.
Por que o tratamento muda tanto?
Porque estamos falando de doenças diferentes disfarçadas com o mesmo nome. Tratar sinusite crônica como se fosse uma sucessão de infecções agudas, repetindo antibióticos a cada crise, é um erro comum que só empurra o problema para frente.
Na forma crônica, o tratamento costuma envolver corticoides nasais em spray usados por períodos prolongados, lavagem nasal diária com soro, controle rigoroso de alergias quando presentes e, em casos selecionados, cirurgia endoscópica para desobstruir os seios da face e permitir que os medicamentos cheguem onde precisam — expliquei mais sobre essa cirurgia em mitos e verdades sobre a cirurgia endoscópica.
Já surgiram também terapias biológicas para casos específicos de sinusite crônica com pólipos, o que mudou muito o cenário nos últimos anos.
Afinal, hoje é mais um belo dia para respirar pelo nariz.

Dr. Diego PizzamiglioOtorrinolaringologista dedicado à cirurgia nasal em Curitiba. CRM-PR 23.174, RQE 1440. Biografia
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